Essa história sobre o Kit Anti-homofobia é uma das coisas mais polêmicas e que vem gerando cada vez mais conflitos entre o povo gay e a sociedade, não digo homofobica, mas que não compreende o movimento LGBT. Saiu no site do O Globo, 26, uma matéria sobre o veto da nossa presidenta, Dilma Rousseff, à distribuição desse tal kit. Sei que muitos gays são a favor, mas, sinceramente, sempre tive minhas dúvidas em relação a esse material. A princípio acho a ideia de orientar os mais novos sobre a naturalidade e a ocorrência dos fatos muito boa, mas talvez o governo não esteja fazendo isso de forma muito correta. Não sei se a distribuição desse kit seria a solução para a diminuição da homofobia ou do estranhamento desses pequenos em relação a nós, gays, pois mexer com criança é uma coisa muito delicada. Principalmente crianças com 10/11 anos de idade. Como diz na própria matéria do O Globo, é uma responsabilidade muito grande jogada nas mãos dos professores, pois uma palavra pode fazer muita diferença na cabecinha das crianças. Tudo bem que cada vez mais, esses jovenzinhos estão mais “maduros”, mas ainda são crianças.
Tive acesso ao conteúdo de alguns dos vídeos, e achei muito interessante e até válido, mas passar para crianças de 11 anos não teria muito efeito. Talvez pudesse ser passado quando eles estiverem um pouco maiores, com uns 13/14 anos. A partir dessa idade, acredito que já tenha como deixar a criança começar a criar seus próprios conceitos.
Não podemos deixar apenas nas mãos dos pais, orientar os fatos da vida, pois eles, por terem crescido e vivido em outra época, talvez, não estejam tão preparados psicologicamente para entender o que essa criança vai ter que entender daqui a 20/30 anos. Conheço pessoas, que são homossexuais, e foram criados por famílias estupidamente preconceituosas e hoje não compactuam com esse pensamento jurássico. Digo que são preconceituosas não apenas com gays, mas com negros, pobres, evangélicos, etc. E por uma um milagre, saíram com a cabeça tranqüila, aceitando e respeitando a diversidade. A criança vai aprender a respeitar a diversidade quando ela tiver contato com o diferente. Quando o rico tiver contato com o pobre, quando o negro tiver contato com o branco, quando o hetero tiver contato com o homossexual. Basta haver o respeito.
Mas e ai, se não deixar apenas na mão dos pais ou dos professores, vai deixar na mão de quem? A questão não é “deixar na mão de quem”. A questão é cada um fazer sua parte. Professores e pais devem sim, mostrar aos seus alunos e filhos que diferenças existem e que temos que aprender a conviver com elas. Sejam com amiguinhos gays, deficientes, negros, pobres, favelados, judeus, ...
Como disse alguém identificado como LOTT-DF em um comentário, “um bom livro abordando tolerância, respeito, compaixão etc junto aos professores talvez fosse o melhor caminho”.
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